Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde

Outro dia fiquei estarrecido com o que vi. Era uma manhã agradável e fresca e,
contra o meu costume, dei comigo a afastar-me e a deambular pela margem do rio.
Debruçado sobre uma sebe, um escravozito apanhava amoras para uma sacola. Nem todas
iriam parar à minha mesa, decerto. Habitualmente fecho os olhos a estas pequenas
transgressões. As silvas dá-as a natureza, não exigem despesas nem cuidados. Procurei
apenas manter-me à distância para que a criança não me visse e não ficasse inutilmente
embaraçada. Em dado momento o garoto parou, sentou-se, encheu a boca de amoras,
puxou de uma cana e começou a desenhar na areia: uma linha oblonga, outra linha
oblonga com a mesma origem e que se afastava e curvava para seccionar a primeira. Uma
terceira linha a unir o remate das duas outras. Um ponto: o olho do peixe.

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