A Filha do Papa – Luís Miguel Rocha

«- Vossa Eminência vai querer pernoitar cá? Posso preparar-lhe os seus aposentos num instante – repetiu a freira.

O prelado reflectiu. As dúvidas, sempre as dúvidas. O que é que eu vim aqui fazer? Não devia ter vindo.(…) O prelado lançou-lhe um último olhar e dirigiu-se à porta da rua. Sonja prontificou-se a abri-la e uma baforada de vento e chuva impeliu-o para o interior.(…) – Disse que a irmã partiu esta manhã?

-Correcto, Eminência. (…) – Boa noie, Sonjia – despediu-se o prelado, virando-lhe as costas e descendo os degraus em direcção ao carro./O que me obrigou a fazer, irmã Pasqualina? – murmurou para si.

Apressou-se a subir as escadas para saber dela. Lá fora, a tempestade continuava a não dar tréguas. Teve pena do cardeal. Pela tempestade e por tudo o resto. Quando chegou ao corredor do primeiro andar ouviu o choro compulsivo de um recém-nascido. Ajoelhou-se e persignou-se.»

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