SEGREDOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA

Sem política definida
Em Angola, «a notícia do golpe de Estado de 25 de Abril surgiu em pleno cacimbo, na estação má, no tempo das nuvens e do calor húmido» quando «o céu mostra-se indeciso: não chove, mas também o Sol não aparece». Para os luandenses o clima caracterizava também a situação política desde o derrube do regime. Vivia-se um tempo de incerteza e expectativa. Certezas nem os novos decisores militares e políticos da Metrópole tinham quanto ao modelo de descolonização a adoptar no mais complexo caso ultramarino de transferência do Poder, reclamado por três Movimentos armados. As populações ultramarinas (que só conheciam a realidade colonial) não foram efusivas nas reacções. O 25 de Abril «foi um acontecimento inesperado, distante do que eram as suas preocupações habituais» e foi, por isso, recebido «com moderada satisfação». «Se é certo que a notícia da mudança de regime provocou uma enorme surpresa, tanto entre os europeus como entre os africanos, não é menos verdade que não desencadeou a agitação febril vista nas manifestações na Metrópole», escrevia o enviado especial da France Presse.

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One Response to SEGREDOS DA DESCOLONIZAÇÃO DE ANGOLA

  1. A.Santos says:

    Acabei de ler o livro.
    Com algum esforço, devo confessá-lo!
    Para quem acompanhou pari passu todo o processo, em termos factuais, não há ali nada de novo.
    Reconhecendo, todavia, a dificuldade em re-criar a realidade a partir de documentos formais, mesmo que eles sejam relatos e notícias de jornal, tenho que fazer uma vénia ao esforço demonstrado e dizer que a fotografia retrata de forma muito fiel a realidade vivida.
    Simplesmente, depois da recolha e do relato – mais ou menos cronológico dos factos – importava fazer a interpretação/integração dos mesmos no contexto geral da história recente de Portugal, ou, no mínimo na história da colonização portuguesa.
    Quanto à sua interpretação no contexto da história passada e futura da Angola, seria, talvez, exigir demais!…
    De qualquer forma, o texto vale como repositório de fontes primárias para trabalho futuro.

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