‘Salazar e o poder’ de Fernando Rosas

Mas haveria outra diferença a separar as duas ditaduras [a italiana e a portuguesa] – a que, também, mais à frente tornaremos com mais detalhe –, a dos “meios de acção”: “a violência”. Em Portugal a “brandura dos nossos costumes” e a deseducação do povo aconselhavam a prudência. Havia que governar “tendo sempre em conta esse sentimentalismo doentio a que nós estamos habituados a chamar bondade”. O que obrigava a ditadura a “ser calma, generosa, um tudo-nada transigente, vagarosa até”: “vamos devagarinho. Passo a passo. Nem outro ritmo ou energia haveria de carecer o ideal de mediania, o “viver habitualmente”, essa aurea mediocritas que o ditador definia como a felicidade possível ou conveniente para as aspirações dos portugueses, como a “imagem da pátria que se traz no coração: “uma casa branca, cheia de sol, num quintal cuidado, em que a vida é pacífica, alegre, operosa e digna”. Era um “fascismo à portuguesa”.

(Página 175)

Salazar e o poder

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