Osvaldo enfeitiçador de cobras e lagartos de Helena Osório

Quando saí do avião, depois de uma vida longe da terra onde nasci, parei no alto da escadaria de FERRO para admirar Angola mais dourada do que vermelha (que eu continuo a sentir sempre vermelha por fazer a diferença no pensamento). Tive medo de me emocionar porque insisto em guardar as emoções dentro, mas, quando o ar morno de Luanda me acariciou o rosto, com um aroma doce familiar – COMO SE NÃO FOSSE ESTA A PRIMEIRA VEZ –, o nó na garganta foi inevitável e as lágrimas que segurei, por TANTO TEMPO, deslizaram naturalmente pelo rosto, amaciando a pele. Como se o lacrimejar fosse um problema de vento.
Esperei 37 anos para voltar a pisar a terra-mãe, à qual julgava jamais regressar. E, era apenas uma criança de sete (ou oito) anos. Será este o mistério de me ter mantido sempre menina e de continuar a escrever para meninos como eu? (Como sempre fiz, aliás, desde os oito anos?!).

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