Convite: Conversas com os Reis de Portugal, de Galopim de Carvalho

Para abrir o apetite da leitura, dou alguns exemplos dos diálogos, escolhendo reis que têm a ver de um modo mais directo com a minha Universidade. D. Dinis, o fundador dos Estudos Gerais em 1290, dialoga com o geólogo no Pinhal de Leiria. Se o rei desmente o “milagre das rosas” (uma história nada original, pois uma tia da Rainha Santa Isabel, Isabel da Hungria, tinha protagonizado um milagre semelhante na Europa Central) e desmonta a lenda do cultivo do pinhal para mais tarde fazer caravelas (“plantador de naus a haver”, conforme escreveu Fernando Pessoa), e o geólogo explica os fenómenos da meteorização dos solos, a propósito das dunas que os pinhais defendem. Por sua vez, D. João III, encontra-se com o investigador no Pátio das Escolas da Universidade de Coimbra, no sítio onde hoje uma estátua recorda a transferência definitiva da Universidade de Lisboa para Coimbra em 1537. O monarca reconhece o seu fundamentalismo religioso na oposição à Reforma e no estabelecimento da Inquisição (como os espíritos dos reis são eternos, o monarca declara“aprendi muito com as gerações que me sucederam”)  e o geólogo ensina-lhe mineralogia e alquimia.

(do prefácio de Carlos Fiolhais)

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