sem rumo, Patrícia Reis

sem rumo

A mulher sabe que há coisas que custam mais que outras, por isso coloca a máscara e sai para a rua. No carro procura não pensar.

Aliás, não pensar é um dos motes da sua existência nos dias que corre.

Passou a noite a ouvir o filho a tossir. Não conseguia conciliar o sono.

Agora está na rua, sem saber para onde ir exactamente. Ouve a sirene de uma ambulância. Podia ser o corpo dela a ser reanimado. Podia ser alguém que ama.

Se existisse um buraco talvez o procurasse, mas não é o seu género.

A maldade das pessoas sempre existirá, dissera alguém no dia anterior.

Ela sente o corpo a ceder, os braços a doer, as mãos no volante.

Quer voltar para casa e já não sabe o caminho.

http://vaocombate.blogs.sapo.pt/445311.html

 

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