A Segunda Morte de Anna Karenina de Ana Cristina Silva

Queria poder dizer que esta é uma resposta às tuas cartas, mas ambos sabemos que nunca antes tive intenção de ta dar. Só agora te escrevo porque o homem que neguei ter amado está, afinal, dentro de mim e tenta fazer-se ouvir; o cadáver que trago comigo ainda está por enterrar. Antes de vir para esta secretária sentei-me no vão da janela a ver o dia declinar. Tinha acabado de ler no jornal a notícia da tua morte. As árvores frondosas do outro lado da rua recortavam-se negras contra os últimos raios de sol e um bando ruidoso de pássaros descrevia círculos, disputando um ramo para passar a noite. Pensei em ti, mas as lágrimas não caíam, como se os meus olhos fossem duas fendas estreitas, vazias e secas.

Sinopse:

Violante tinha, desde criança, um talento raro para a representação e, com a ajuda de Luis Henrique, um grande actor com quem acabou por se casar, tornou-se uma das mais aplaudidas actrizes portuguesas do princípio do século XX. Contudo, os que a vêem brilhar e afirmar o seu génio no palco dos maiores teatros nacionais desconhecem o terrível segredo que minou a sua vida e levou para longe o marido numa noite que podia ter acabado em tragédia. Agora, que Violante visita, longe da multidão, o jazigo de Rodrigo – um jovem oficial português caído na guerra das trincheiras em França –, espera finalmente sentir o desgosto da mãe que não chegou a ser, mas descobre que o filho que não criou carregava, afinal, no peito um peso tão grande ou maior do que o seu. E, com o espectro das recordações que essa revelação desencadeia, regressa também inesperadamente o próprio Luís Henrique, desejoso de obter, ao fim de tantos anos, a resposta que Violante não lhe pôde dar. O problema é que, numa conversa entre dois actores de excepção, nunca se sabe exactamente o que é verdade.
A Segunda Morte de Anna Karénina é um romance sobre o amor sem limites, a traição e os custos da vingança – e também uma obra arrojada sobre as tensões homossexuais reprimidas, sobre as vidas desperdiçadas de tantos portugueses na Primeira Guerra Mundial e sobre as diferenças – se é que existem – entre o teatro e a vida real.

(nas livrarias em Setembro)

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