Sobre a Morte e o Morrer de Walter Osswald

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Os paleontólogos apontam o culto dos mortos como indício da hominização. O Homem é o único animal que enterra ou queima os indivíduos da sua espécie que morreram e lhes presta homenagem ou culto e, mais importante ainda, é o único que sabe que há-de morrer. É certo que este seu conhecimento se baseia apenas num raciocínio analógico (se toda a gente morre, eu também sou mortal) e não numa prova científica, mas tal não abalou a certeza, que toda a pessoa consciente tem, da finitude da vida. Sabemos todos que vivemos, uns mais, outros menos, mas que a morte é inelutável: o fio da vida será cortado em dia incerto; a morte é certa, a hora incerta. Mas essa certeza não adquire, curiosamente, carácter pessoal: sei que todos havemos de morrer, o que implica que terei de morrer, mas tal conhecimento continua a ter natureza abstracta, não relacionada comigo, quase como as certezas que dizem respeito às verdades cósmicas; sei que a Terra gira em torno do Sol, e que a Lua é um satélite da Terra, mas essas certezas não fazem parte fruição que tenho daquele dia de Verão perfeito, com o seu glorioso pôr-do-sol, ou do gozo estético de uma noite de lua cheia.

Mais informações sobre o livro. Uma edição da Fundação Francisco Manuel dos Santos

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