OS CINCO ESTÁGIOS DE LUTO (conto) de Adriano Cerqueira

Miguel pausou por alguns segundos antes de continuar. O homem ofereceu-lhe um copo de água que ele aceitou com gratidão.
 
“Pensei para mim próprio”, continuou. “Talvez se eu mudasse, talvez se ela me desse mais uma oportunidade de lhe provar como podemos voltar a ser felizes. Basta estarmos juntos, ela vai voltar a senti-lo. Se eu implorar, se eu bradar aos céus o que sinto por ela, talvez aí…”
 
Hesitou, inseguro sobre o que estava prestes a revelar.
 
“Uma noite cheguei mesmo a rezar, a pedir que ela desse ouvidos ao seu coração e que de alguma forma encontrasse a calma de espírito necessária para quebrar a sua lógica destrutiva e voltar a ser feliz comigo. Um último acto de desespero…”
 
O homem observou Miguel pensativamente antes de falar.
 
“Recorrer a uma entidade superior quando nos sentimos impotentes e nada mais temos onde nos apoiar, faz parte da condição humana. Não é algo do qual deva ter vergonha.”
 
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