António Ramos Rosa (Faro, 17 de Outubro de 1924 – Lisboa, 23 de Setembro de 2013)

Quem escreve

Quem escreve quer morrer, quer renascer

num ébrio barco de calma confiança.

Quem escreve quer dormir em ombros matinais

e na boca das coisas ser lágrima animal

ou o sorriso da árvore. Quem escreve

quer ser terra sobre terra, solidão

adorada, resplandecente, odor de morte

e o rumor do sol, a sede da serpente,

o sopro sobre o muro, as pedras sem caminho,

o negro meio-dia sobre os olhos.

António Ramos Rosa

ACORDES, QUETZAL EDITORES, 1990, 2ª EDIÇÃO, P. 66

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