“Manual de Instruções para Sobreviver aos 40, continuar sexy, com alguma vida sexual e não parecer uma lontra” de Rita Barata Silvério

Há um dia em que as mulheres da minha idade se esquecem que foram (e são) gajas boas. Vemo-nos como mães, mulheres de alguém que amamos, consumidoras de descontos de supermercados, profissionais competentes. Mas desejadas por outros homens, por estranhos, há anos que não sabemos o que isso é. Também não ajuda uma vida social reduzida à miséria mais enfadonha, com jantares em casas de amigos de longa data e festas de anos infantis. Há várias eras geológicas que não vamos a um bar sozinhas, e portanto o inocente engate ao balcão é o mais parecido a uma miragem, uma recordação dos anos universitários em que estávamos disponíveis, nem que fosse para dizer que não estávamos disponíveis. Não nos sentimos sexys. As nossas roupas, sejamos sinceras, estão desactualizadas, de tantas mudanças de peso. Depois de várias gravidezes, as roupas que não ficam apertadas nas mamas estão largueironas nas ancas. Temos saudades do nosso corpo, da nossa energia, não nos achamos bonitas, quanto mais desejáveis por terceiros. Nem sequer temos tempo para nos olharmos ao espelho. Pensamos que os homens da nossa idade só se interessam por miúdas magras e novas, miúdas que um dia já fomos, sem filhos, sem crédito à habitação, sem bóia abdominal. 

UM CASO COM O LOPES. PORQUE NÃO?

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