O Mistério do Infante Santo de Jorge Sousa Correia

Cortando os rolos de nevoeiro que sobrelevavam as águas, saiu da caravela uma embarcação transportando o mensageiro e a sua besta muda. Chegados à praia, num salto o cavaleiro pôs os pés na areia ainda submersa, puxando com força o cavalo relutante em experimentar a água fria.Pôs-se em cima do animal, esporeou-o com a piedade que a visão lhe concedia, não sabendo ao certo do que tratava o documento nem a fundamental importância dele. Mas tinha uma convicção. Tudo o que acontecera desde que Diogo de Bairros falou consigo em Ceuta, convenceram-no de que a missão proposta era de grande importância, segredo e de certeza compensadora. Sem desconfiar, não era essa a sua obrigação, cheirava-lhe a grossa recompensa e essa era uma presunção suficientemente motivadora para lhe animar o espírito e aquecer o corpo. Além disso, a hipótese de estar a cumprir uma missão de transcendente valor para o rei também lhe dava coragem, numa noite em que os faladores se calavam.

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