O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky de Patricia Reis

«Ter cinquenta anos deve ser isto. Perceber que já se viveu mais de metade da vida, que as miúdas não nos apreciam do mesmo modo, que o casamento é um logro e que até as Mães se apagam por desgosto ou egoísmo, nunca se sabe. Se eu soubesse mandarim poderia dizer se és simpática ou apenas triste, já que não sorris. Pegas nas garrafas, serves as bebidas, tens uma pá de plástico verde para recolher pedaços de gelo de um recipiente metálico. Já te vi fazer uma bebida fumegante. Também as tivemos nos bares lisboetas, nos anos oitenta do século passado. Tinham nomes estranhos e vinham com sombrinhas coloridas, dessas que se devem fazer aqui ou na China, algures. Bebidas azuis. Verdes. Eu fico-me pelo whisky. É uma bebida de homem, garantiu-me o meu Pai.»

Patricia Reis, O que nos separa dos outros por causa de um copo de whisky

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