À Beiro-Rio, Cartas a Maria de Júlio Machado Vaz

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São 82 cartas escritas a Maria numa tentativa de manter vivo um amor passado. O desenlace é numa Barcelona repleta de memórias, onde se esbatem as fronteiras entre o real e o imaginário.

À beira‑rio.

Dizem que os criminosos voltam sempre ao local do crime, talvez precise de inventar ou cometer um a posteriori, há quantos anos desaguo, imóvel, com o Douro? Tantos que seria fácil anunciar duelo entre mim e o banco pomposamente baptizado de Observatório de Aves, “onde cresceu mais a ferrugem, em homem ou metal?” (Seria desonesto apostar em mim?) Na outra margem, o arvoredo não poderia inscrever‑se em tal concurso, não enferrujou, morreu e não por suicídio, cortaram‑lhe ramos, troncos e pescoço em nome do progresso, mais um condomínio não deve tardar. Sinto‑lhe a falta. Gostava do cume de palacete que escoltava, havia um certo mistério naquela casa agasalhada pela Natureza, agora exibe uma nudez igual às outras — avessa a qualquer exercício da imaginação.

Uma edição da Relógio D’Água. Estão disponíveis algumas páginas do livro.

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