O Islão é Charlie?, de Slavoj Žižek (tradução de Paulo Ramos)

zizek

Agora, quando estamos todos em estado de choque na sequência do massacre levado a cabo nas instalações do jornal Charlie Hebdo, é o momento certo para arranjar coragem para pensar. Agora e não mais tarde, quando as coisas tiverem acalmado, quando os defensores da sabedoria barata tentarem convencer-nos: o que é mais difícil de combinar é precisamente o calor de um momento e o acto de pensar. Pensar no frio do rescaldo não gera uma verdade mais equilibrada, antes normaliza a situação e permite-nos evitar a verdade nua e crua.

Pensar significa ultrapassar o pathos da solidariedade universal que explodiu nos dias a seguir ao acontecimento e culminou no espectáculo de sábado, 11 de Janeiro, com grandes nomes da política de todo o Mundo de mãos dadas, de Cameron a Lavrov, de Netanyahu a Abbas – se alguma vez houve uma imagem da falsidade hipócrita, esta é, sem dúvida, um bom exemplo.

Slavoj Žižek, O Islão é Charlie?, Lisboa, Objectiva, 2015

 

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