Herberto Helder (1930-2015)

herberto©lacerda_1

© Alberto Lacerda (http://bit.ly/1CLIwvX)

 

Quando os lemos lado a lado, a todos estes poemas, sabemos estarem eles entregues ao serviço de uma só inspiração. Nada disto aclara, nada pretende: ache cada um a
sua árvore vorazmente nupcial, sem inquirir de um silêncio que apenas responderá mostrando o absurdo no absurdo, aludindo com a técnica oblíqua de um exemplo qualquer à qualidade da acção, mesmo que a acção, no domínio dos silêncios, seja verbal.

***

até cada objecto se encher de luz e ser apanhado
por todos os lados hábeis, e ser ímpar,
ser escolhido,
e lampejando do ar à volta,
na ordem do mundo aquela fracção real dos dedos juntos
como para escrever cada palavra:
pegar ao alto numa coisa em estado de milagre: seja:
um copo de água,
tudo pronto para que a luz estremeça:
o terror da beleza, isso, o terror da beleza delicadíssima
tão súbito e implacável na vida administrativa

— Herberto HelderServidõesLisboa, Assírio & Alvim, 2013.

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