Número Zero, de Umberto Eco (tradução de Jorge Vaz de Carvalho)

Umberto Eco

Di Samis percorria os dez metros que separavam o instituto da sala de aula como se fossem vinte: não seguia uma linha recta, mas uma curva, não sei se uma parábola ou uma elipse, dizendo em voz alta, «cá estamos, cá estamos!», depois entrava na sala de aula e sentava ‑se numa espécie de pódio esculpido — era de esperar que começasse com chamai ‑me Ismael.

Através dos vitrais, a luz verde tornava cadavérico o seu rosto que sorria, maligno, enquanto os assistentes activavam o gravador. Então começava: «Ao contrário do que disse recentemente o meu valoroso colega professor Bocardo…», e por aí fora, durante duas horas.

Umberto Eco, Número Zero, tradução de Jorge Vaz de Carvalho, Lisboa, Gradiva, 2015, p. 14

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