Azuis Ultramarinos. Propaganda Colonial e Censura no Cinema do Estado Novo, de Maria do Carmo Piçarra

Azuis Ultramarinos-26Marco

Entre 2006 e 2008 trabalhei no À Bolina, um projecto desenvolvido no bairro da Quinta da Serra, no Prior Velho, habitado sobretudo por imigrantes cabo-verdianos e guineenses. O essencial da acção deste projecto do programa Escolhas era dar apoio escolar. Os meninos e meninas que frequentavam o À Bolina queixavam-se frequentemente do racismo na escola. A vulgata, em Portugal, é a de que somos um povo menos racista do que outros e que o colonialismo português foi diferente. Não há graduações para o racismo. Nem colonialismos humanistas. No entanto, durante as viagens de pesquisa bibliográfica  e filmográfica que fiz (em Londres e Paris, sobretudo) aprendi que este argumento – o da especificidade e «humanismo» do colonialismo de certa nação – é repetido, em toda a parte.

Foi, pois, uma nova consciência sobre o racismo que me fez regressar à investigação. Com uma pergunta: como foi construída esta representação segundo a qual os portugueses não são racistas?

Optei por voltar às actualidades de propaganda do Estado Novo mas com um enfoque, ligado ao trabalho que fiz no À Bolina: as projecções do colonialismo português nestas imagens da propaganda. Porém, da partilha e dificuldades quotidianas no projecto nasceu a vontade de não me limitar a olhar os filmes da propaganda.

Azuis Ultramarinos. Propaganda Colonial e Censura no Cinema do Estado Novo, Edições 70, “Prólogo e Agradecimentos”, p. 13

Fotografia encontrada no blogue Malomil.

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