Oblomov, de Ivan Gontcharov

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Oblomov parece uma caricatura, mas é um ser humano. É uma daquelas personagens cujo nome passa a integrar o léxico de um país, e se tornam símbolo de determinada característica humana. Assim como dizemos de um discurso que é acaciano, ou de uma atitude que é quixotesca, os russos usam a palavra oblomovismo para designar uma certa indolência apática. Não é uma indolência que rejeita a vida, como a de Bartleby, nem uma incapacidade de agir motivada pela ponderação das consequências dos seus actos, como a de Hamlet. É uma indolência pueril, de quem não pode nem quer abandonar a infância para entrar num mundo perigoso, aborrecido, contrário ao seu conceito de vida, e no qual se valoriza uma actividade abominável: o trabalho. Oblomov está assoberbado de inércia como uma criança aborrecida.

Ricardo Araújo Pereira

Um dos maiores clássicos da literatura do século XIX, traduzido integralmente do russo por António Pescada. Uma edição Tinta-da-China, da Colecção de Ricardo Araújo Pereira.

Leia algumas páginas do livro e a notícia da revista Sábado.

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