Hamlet, de William Shakespeare (tradução de António M. Feijó)

hamlet

Polónio Ofélia, põe-te a andar aqui.  — Senhor, se vos apraz,

Escondamo-nos. — Lê aqui neste livro,

Que a aparência desse acto possa colorir-te

A solidão. — Muitas vezes somos culpados disto,

Em demasia provado, que, com ar de devoção

E pios actos, de açúcar recobrimos

O próprio diabo.

Rei (Aparte) Oh, como isso é verdade.

Com que látego me lacera esse dito a consciência.

A face da meretriz, embelezada pela face cosmética,

Não é mais repelente a essa coisa que a empola

Que o meu acto à minha palavra mais pintada.

Ah, que terrível peso!

Polónio Estou a ouvi-lo chegar. Retiremo-nos, senhor.

(Saem Rei e Polónio)

(Entra Hamlet)

Hamlet Ser ou não ser, eis a questão:

— William Shakespeare, Hamlet (tradução e notas de António M. Feijó), Lisboa, Relógio D’Água Editores, Novembro de 2015, p. 111

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