A Moralidade da Profissão das Letras e outras defesas da literatura de Robert Louis Stevenson

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A profissão das Letras tem sido debatida na imprensa ultimamente; e tem sido debatida, para não dizer pior, de um ponto de vista que foi calculado para surpreender homens de carácter elevado e fazer cair um desdém geral sobre os livros e a leitura. Há algum tempo, em particular, um escritor vivaz, agradável e popular dedicou um ensaio, vivaz e agradável como ele, a uma visão muito encorajadora da profissão. Podemos alegrar-nos por a sua experiência ser tão animadora, e podemos esperar que todos os outros que o mereçam sejam generosamente recompensados; mas penso que não devemos ficar de todo contentes ao vermos esta questão, tão importante para o público e para nós, ser debatida apenas com base no dinheiro. O salário, em qualquer negócio que seja, não é a única coisa e tampouco a primeira questão. Continuar a existir é uma questão para cada um considerar; mas que o nosso negócio seja, primeiro, honesto, e, depois, útil são pontos que dizem respeito à honra e à moralidade. Se o escritor a quem me refiro consegue persuadir um certo número de jovens a adoptar este modo de vida com os olhos postos somente no sustento, devemos esperar que eles procurem apenas o lucro com os seus trabalhos, e devemos esperar, por consequência, se ele me perdoar os epítetos, uma literatura desleixada, baixa, falsa e vazia.

Tradução e nota de leitura de Jorge Bastos da Silva

Uma edição Deriva. Colecção Pulsar

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