Aulas de Literatura – Berkeley, 1980, de Julio Cortázar (tradução de Miguel Filipe Mochila)

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Recentemente, durante um voo da cidade onde moro (por acaso, aquela onde nasceu Cortázar) para os Estados Unidos (não, não foi para Berkeley), li com bastante agrado as Clases de literatura – Berkeley, 1980. Acabo de descobrir que existe uma tradução para português e ainda por cima ortograficamente exemplar. Efectivamente.

Ficamos agora apenas pela escrita, e é nela que me interessa investir, porque quanto ao tipo de preconceitos da direita não há grande coisa a fazer, mas no que se refere aos da esquerda sim, pois as pessoas de esquerda estão perfeitamente capacitadas para reflectir e compreender até que ponto, muitas vezes, quando criticam ou se escandalizam perante o que consideram ser pornográfico e não o é, estão a imaginar no domínio mental, uma atitude absolutamente reaccionária.

— Julio Cortázar, Aulas de Literatura – Berkeley, 1980, tradução de Miguel Filipe Mochila, Lisboa, Cavalo de Ferro, Setembro de 2016, p. 260..

 

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A Escada de Istambul, de Tiago Salazar

 

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Nótula na ficha técnica:

Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990.

A propósito desta nótula, recordemos outras nótulas aqui deixadas, para obras de Nunes BarataTorga e Pulido Valente.

– Contentas-te com a imagem de um banqueiro mundano, um coleccionador, um pedagogo universalista? Pergunto-te o mesmo, Nissim – disse Rebecca.

Este sorriu um sorriso triste, só a comissura dos lábios se franziu.

E tu, com a de mulher e mãe quando, no fundo, és mais activista do que todos nós?

— Tiago Salazar, A Escada de Istambul, Lisboa, Oficina do Livro, Outubro de 2016.

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Poemas Escolhidos, de T.S. Eliot

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Estou a ficar velho… Estou a ficar velho…
Hei-de andar com a dobra da calça revirada.

E se eu puxar atrás o risco do cabelo? Arrisco-me a trincar
um pêssego?
Hei-de vestir calça de flanela branca e passear na praia.
Já ouvi as sereias cantando, umas às outras.

Creio que para mim não vão cantar.
Tenho-as visto na direcção do mar a cavalgar as ondas
Penteando crinas brancas de ondas encrespadas
Quando o vento revolve as águas escuras e brancas.

Ficámos nas mansões do mar nós dois em abandono
Entre as ondinas com grinaldas de algas castanhas purpurinas
Até que vozes humanas nos despertam e morremos naufragados.

Prufrock e Outras Observações (A Canção de Amor de J. Alfred Prufrock), tradução de João Almeida Flor), p. 21.

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Guia de Enoturismo em Portugal, de Maria João de Almeida

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Na página 2 deste Guia, podemos encontrar a seguinte “nota da autora”:

Nota da autora: este guia foi orgulhosamente escrito em defesa da língua portuguesa, respeitando o Acordo Ortográfico de 1945.

Efectivamente, eis dois excelentes exemplos, da página 51

A quinta já recebia hóspedes na casa antiga de Dona Antónia Ferreira, mas, em 2012, o projecto enriqueceu-se com a construção de um novo edificio assinado pelo arquitecto Francisco Vieira de Campos, que seguiu a mesma linguagem arquitectónica da adega, moderna, funcional e de linhas sóbrias.

e da página 205

Esta antiga quinta romântica pertenceu ao rei D. Luís I, que a ofereceu a uma famosa actriz por quem se apaixonou, a bela Rosa Damasceno, mandando ali construir um teatro especialmente para ela. […]. Actualmente, a quinta dedica-se a três actividades: produzir vinho, receber hóspedes e organizar eventos.

— Maria João de Almeida, Guia de Enoturismo em Portugal, Segunda Edição, Lisboa, Zest – Books for Life, Setembro de 2016.

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A Utilidade do Inútil, de Nuccio Ordine

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(…) a lógica do lucro mina as bases das instituições (escolas, universidades, centros de pesquisas, laboratórios, museus, bibliotecas, arquivos) e das disciplinas (humanísticas e científicas) cujo valor deveria identificar-se com o saber em si mesmo, independentemente da capacidade de produzir ganhos imediatos ou benefícios práticos. É verdade que muitas vezes os museus e os sítios arqueológicos podem ser fontes de receitas extraordinárias. Mas a sua existência, ao contrário daquilo que alguns gostariam de nos fazer crer, não pode depender dos ganhos materiais. A vida de um museu ou de uma escavação arqueológica, tal como a de um arquivo ou de uma biblioteca, é um tesouro que a colectividade deve a todo o custo preservar ciosamente.

Este livro, por ser também uma antologia, tem a colaboração de autores como Aristóteles, Platão, Kant, Ovídio, Montaigne ou Théophile Gautier, entre outros. Em apêndice, inclui um magnífico ensaio de Abraham Flexner. Leia-se a recensão de Paulo Rodrigues Ferreira.

A tradução é de Margarida Periquito. Uma edição da Faktoria K de Livros.

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A Doença, o Sofrimento e a Morte entram num Bar, de Ricardo Araújo Pereira

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Esta é a minha hipótese: humor, ou sentido de humor, é, na verdade, um modo especial de olhar para as coisas e de pensar sobre elas. É raro, não porque se trate de um dom oferecido apenas a alguns escolhidos, mas porque esse modo de olhar e de raciocinar é bastante diferente do convencional (às vezes, é precisamente o oposto), e a maior parte das pessoas não tem interesse em relacionar-se com o mundo dessa forma, ou não pode dar-se a esse luxo. Somos treinados para saber o que as coisas são, não para perder tempo a investigar o que parecem, ou o que poderiam ser. Este livro procura identificar e discutir algumas características dessa maneira de ver e de pensar.

Um livro da Tinta-da-China. Diz que é uma espécie de manual de escrita humorística.

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O Regresso da Princesa Europa, de Rob Riemen

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Como imaginaríamos o seu regresso? Não tem casa nem qualquer residência fixa. A princesa entrará portanto num hotel e apresentar-se-á como… Europa! Mas é aí que começam os problemas, porque o amável recepcionista pedirá para ver o seu passaporte. Ela não tem passaporte, não pode ter, porque não pertence a nenhuma nacionalidade específica.

Um livro de Rob Reimen. Tem subtítulo: As suas Lágrimas, os seus Feitos e os seus Sonhos. Traduzido do inglês por Vítor Guerreiro.

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Thomas Mann. Um Percurso Político

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Uma selecção dos ensaios políticos de Thomas Mann que apresenta a evolução ideológica do autor. Uma antologia de textos que reflectem o pensamento político de um dos escritores fundamentais do século XX e que vão desde a defesa radical da guerra até ao exílio americano, passando pela defesa pública da República de Weimar, pela análise do carácter alemão, pelas razões do apoio popular a Hitler e pela explicação psicológica da germanidade e do comportamento dos alemães perante o Nacional-Socialismo. Um conjunto de textos que espelham o empenhamento de Thomas Mann na vida literária e política do seu tempo, produzindo não só pensamentos políticos, mas reagindo também a acontecimentos ou tomando partido em momentos cruciais da evolução político-social do seu tempo.

Da contracapa.

Selecção, organização e prefácio de Teresa Seruya
Tradução e notas de Teresa Seruya, Gilda Lopes Encarnação e Sara Seruya 

“A pedido das tradutoras, a presente edição não segue a grafia do Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa.”

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Carpe Diem Arte e Pesquisa (CDAP)

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O Carpe Diem Arte e Pesquisa (CDAP) inaugura o seu novo Programa de Exposições, no dia 17 de Setembro, entre as 17h00 e as 21h00, com os projectos individuais de:

ADRIANA MOLDER (PT)
BEATRICE CARACCIOLO (IT)
INÊS TELES (PT) (parceria com Roulote – Projectos Artísticos)
ISABEL SIMÕES (PT)
MARGARIDA CORREIA (PT)
SOFIA LEITÃO (PT)

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Hamlet, de William Shakespeare (tradução de António M. Feijó)

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Polónio Ofélia, põe-te a andar aqui.  — Senhor, se vos apraz,

Escondamo-nos. — Lê aqui neste livro,

Que a aparência desse acto possa colorir-te

A solidão. — Muitas vezes somos culpados disto,

Em demasia provado, que, com ar de devoção

E pios actos, de açúcar recobrimos

O próprio diabo.

Rei (Aparte) Oh, como isso é verdade.

Com que látego me lacera esse dito a consciência.

A face da meretriz, embelezada pela face cosmética,

Não é mais repelente a essa coisa que a empola

Que o meu acto à minha palavra mais pintada.

Ah, que terrível peso!

Polónio Estou a ouvi-lo chegar. Retiremo-nos, senhor.

(Saem Rei e Polónio)

(Entra Hamlet)

Hamlet Ser ou não ser, eis a questão:

— William Shakespeare, Hamlet (tradução e notas de António M. Feijó), Lisboa, Relógio D’Água Editores, Novembro de 2015, p. 111

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