O Super-Camões — Biografia de Fernando Pessoa, de João Pedro George

«O primeiro grande embate contra o regime deu-se no mês em que os prémios do SPN foram oficialmente entregues: no dia 14 de Fevereiro, Pessoa publicou no Diário de Lisboa um artigo crítico, de rompe-e-rasga, de um projecto de lei do Estado corporativo. Mas vejamos!

Em 19 de Janeiro de 1935, José Pereira dos Santos Cabral, advogado de Fornos de Algodres, director-geral dos Serviços Prisionais, administrador das Companhias Reunidas de Gás e Electricidade, director da Companhia das Águas de Lisboa, monárquico e combatente em 1919 contra a República, futuro membro da Legião Portuguesa e deputado da União Nacional desde 1934, apresentou à Assembleia Nacional, com carácter de urgência, o projecto de lei das chamadas “associações secretas”, visando a sua proibição. O objectivo era ilegalizar todas as organizações que pudessem pôr em causa, pelos seus princípios, a “ordem estabelecida”, ou seja, a ditadura institucionalizada dois anos antes».

João Pedro George, O Super-Camões, biografia de Fernando Pessoa, 1.ª Edição, D. Quixote/Leya, Outubro de 2022, pp. 833-4.

Nótula: “Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990” (p. 6).

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Rimas e Batidas

Rimas e Batidas é uma revista digital sobre música criativa e desafiante: a que se estende entre o hip hop e a electrónica, entre África e o jazz, entre a dança e a contemplação e mais além“.

Efectivamente.

projectos, Um Projecto Global, colectivo, eléctrica, electrónica,

E há redacção, director e direcção.

Exactamente.

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A Árvore em Portugal, de Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Telles

Já ninguém hoje em dia duvida do valor e interesse da árvore, tanto se tem escrito e falado sobre o assunto em todo o mundo.
Quando, porém, do interesse abstracto pela “árvore” passamos a considerar a forma como a nossa gente reage perante ‘aquela árvore que me ensombra a casa ou o quintal’ desaparece a unanimidade na apreciação e as consequências são quase sempre desastrosas para a árvore.
A primeira e mais vulgar reacção consiste em limitar os prejuízos atribuídos à árvore podando-a!
E a prática generalizou-se de tal forma que quase ninguém conhece a imagem de uma árvore intacta, com a forma que Deus lhe deu, e não a caricatura que os homens fizeram dela.
Todos os anos, no fim do Inverno saem ao campo, das mais diversas procedências, brigadas de homens armados de serrotes e tesouras a podar arvoredos das ruas das Cidades e das Vilas e ultimamente até das estradas nacionais.

Francisco Caldeira Cabral e Gonçalo Ribeiro Telles, A Árvore em Portugal – 3ª Edição, publicação: 2022, Editora: APAP – Associação Portuguesa dos Arquitectos Paisagistas, p. 21

Nótula: «A presente edição não adopta o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990» (p. 4).

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Como Aprendem os Portugueses — escola, ensino básico e secundário, ensino superior, de Luísa Canto e Castro Loura

O último quarto do século XX

Neste período houve, essencialmente, três factores de grande impacto, que se foram expressando sequencialmente no tempo, mesmo que com alguma sobreposição: democratização do ensino, profissionalização em exercício dos docentes, fixação de numerus clausus e concurso nacional de acesso ao ensino superior público.

A democratização do ensino superior teve impacto no número de alunos, muito em especial no 3.º ciclo e secundário, entre os anos lectivos de 1974/1975 a 1982/1983. Como se irá ver, esse impacto só não foi mais expressivo em número de alunos porque, concomitantemente, se foram acentuando os níveis de abandono.

Já a profissionalização em exercício, que visava melhorar os conhecimentos em didáctica e técnicas pedagógicas em sala de aula junto daqueles docentes que foram contratados sem que tivessem ainda essa componente da habilitação profissional, a sua implementação foi decorrendo ao longo das décadas de 1980 e de 1990.

— Luísa Canto e Castro Loura, Como Aprendem os Portugueses — escola, ensino básico e secundário, ensino superior, FFMS, Abril de 2020, p. 22-6.

“Livro redigido com o Acordo Ortográfico de 1945” (p. 2)

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Puxar a Brasa à Nossa Sardinha, de Andreia Vale

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Há milhares de páginas na Internet com milhares de referências e devidas explicações. Reuni-las é como um poço sem fundo! Devo confessar que me deu água pelas barbas (duas de seguida, já está!). Estamos sempre a ouvi-las, mas também as lemos em títulos de notícias, artigos de opinião, editoriais e por aí fora… Conhecemos bem as expressões em português de Portugal e, mesmo com um oceano a separar-nos, já adoptámos muitas do português do Brasil.
As expressões idiomáticas são do idioma, por isso, são do povo, democráticas. Não olham a raça, etnia, filiação, grau de escolaridade, classe ou extracto bancário.

— Andreia Vale, “Puxar a Brasa à Nossa Sardinha”, Manuscrito Editora, 1.ª Edição, Julho de 2015.

Nótula na ficha técnica: “A autora escreve de acordo com a antiga ortografia”.

Livro já sugerido por Pedro Correia, no Delito de Opinião. Cheguei lá pela areia atirada para os olhos, devido à arena atirada para os nossos óculos.

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Afasia e Comunicação após Lesão Cerebral — definição, classificação e reabilitação, de José Fonseca (coord.)

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As capacidades necessárias para conseguir ler são multifactoriais. É necessário reconhecer e aplicar o que representam as letras isoladamente, a sua união e o seu aspecto gráfico. Alguns aspectos da cognição podem interferir com a capacidade de leitura. Se a pessoa não é capaz de reter na memória o que leu, a compreensão do texto passa a ser reduzida. Os testes de avaliação da leitura e da escrita estão muitas vezes organizados em tarefas de associação palavra/objecto, escolher uma palavra para terminar uma frase, assim como responder a questões relacionadas com a leitura de um texto.

— Dália Nogueira, “Alterações da Comunicação no Envelhecimento e Demência”, in J. Fonseca (coord.), Afasia e Comunicação Após Lesão Cerebral – definiçãoclassificação e reabilitação, Lisboa, Papa-Letras, 1.ª Edição, 2018. p. 239.

Nótula na página 2: “Edição redigida sem o novo Acordo Ortográfico”.

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Gramática para Todos — O Português na Ponta da Língua, de Marco Neves

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A gramática da lingua não tem de estar escrita nalgum lado — a gramática, neste sentido, não é um livro: é o conjunto de regularidades e excepções que existe na cabeça dos falantes e se revela no uso real da língua.

— Marco Neves, Gramática para Todos — O Português na Ponta da Língua, Guerra & Paz, 1.ª Edição, Abril de 2019, p. 23

Nótula na página 4: “A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico” (negritos no original,  cf. igualmente  José Cardoso Pires e o leitor desassossegado, do mesmo Autor).

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Não Cites Pessoa em Vão, de Vasco Silva (selecção, organização e nota editorial)

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A actividade social chamada comércio, por mal vista que esteja hoje pelos teoristas de sociedades impossíveis, é contudo um dos dois característicos distintivos das sociedades chamadas civilizadas. O outro característico distintivo é o que se denomina cultura.

Revista de Comércio e Contabilidade, n.º 3, 25-3-1926 (p. 29)

***

ORTOGRAFIA

A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito.

Pessoa inédito (p. 68)

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ESPECTADOR

Procurei sempre ser espectador da vida, sem nunca me misturar nela.

Página íntimas e de Auto-Interpretação (p. 38)

 

1.ª edição, Novembro de 2018, Lisboa, E-Primatur

Nótula de Vasco Silva (p. 10): “A ortografia foi uniformizada pela anterior ao Acordo Ortográfico de 1990 e o título Não Cites Pessoa em Vão foi encontrado na parede de uma rua de Lisboa”.

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José Cardoso Pires e o leitor desassossegado, de Marco Neves

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Nos aspectos analisados até agora, a paródia ao romance policial satiriza sobretudo a actuação policial e o ambiente social vivido na época dos eventos narrados, sátira que se baseia em grande medida no facto de o regime criticado já ter caído e as suas características negativas serem conhecidas pelo leitor, supondo-se, portanto, competência ideológica da parte do leitor:  supõe-.se que o leitor avalia negativamente a autoridade legitimadora da actuação policial em Balada da Praia dos Cães. Um leitor que não o faça lerá com maior dificuldade este romance como uma paródia do romance policial, ficando apenas pelo primeiro nível, o do romance policial propriamente dito. Ou seja, o horizonte de expectativas do leitor português de  Balada da Praia dos Cães inclui uma valoração negativa da autoridade vigente em 1960.

Marco Neves, José Cardoso Pires e o leitor desassossegado, Guerra & Paz, 2018. p. 81.

Nótula na página 4: “A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico” (negritos no original).

 

 

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Lojas Históricas em Lisboa, de Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa e Urban Sketchers Portugal (texto: Miguel de Sepúlveda Velloso e Paulo Ferrero)

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Havia detalhes magníficos, como o biombo a vidro cinzelado art déco, com livros desenhados e uma senhora que bem podia estar num livro com Poirot. Ou aquela estante central, em que as prateleiras se pareciam com folhas abertas. e o vidro e a madeira projectavam luz, muita luz.

Infelizmente, a 29 de Dezembro de 2017, esta livraria tornou-se mais uma das vítimas de um fenómeno que está a apagar a História e a memória da cidade.

“Livraria Aillaud & Lellos”, p. 62.

O actual dono, o Sr. Carlos Carvalho, mantém uma mão segura ao leme da casa. A direcção é clara: o acto de adquirir um par de luvas não é uma mera transacção, mas sim um gesto atento e vagaroso: olhar, escolher, provar e, depois de dois dedos de conversa do melhor aconselhamento, a decisão de comprar.

“Luvaria Ulisses”, p. 70.

Lojas históricas em Lisboa, Círculo das Lojas de Carácter e Tradição de Lisboa e Urban Sketchers Portugal (texto: Miguel de Sepúlveda Velloso e Paulo Ferrero), Zestbooks, Maio de 2018.

Recomendo a leitura deste excelente artigo .

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